É como se minha ansiedade não tivesse passado anos construindo uma defesa impenetrável. Como se as noites sem dormir, a ruminação, os ensaios intermináveis dos piores cenários não tivessem fundamento.
Mas quanto mais eu refletia sobre isso, mais percebia que talvez a afirmação não estivesse descartando meu medo. Talvez estivesse questionando minha memória.
Porque essa é a coisa estranha sobre a preocupação: ela tem o poder de apagar as evidências. Ela te convence de que desta vez é diferente.
Dessa vez, você não vai se recuperar. Dessa vez, você não vai se adaptar. Dessa vez, você finalmente vai se deparar com algo maior do que você.
No entanto, quando olho para trás, encontro um rastro de antigas emergências que, de alguma forma, se tornaram memórias comuns.
A dor que eu tinha certeza que me destruiria. As decisões que me mantiveram acordada até o amanhecer. Os meses que pareceram impossíveis enquanto eu os vivia.
Naquela época, cada um deles chegou vestido como se fosse o fim do mundo.
Mas adivinhem? Nenhum deles era.
Algumas circunstâncias… Algumas me machucaram. Algumas me transformaram. Algumas deixaram cicatrizes que ainda traço com a ponta dos dedos. Mas nenhuma delas se tornou a catástrofe que minha mente prometia.
Eu descobri as soluções. Descobri-as da mesma forma que a maioria das pessoas: chorando, duvidando de mim mesmo, cometendo erros e desejando ter um plano melhor.
Eu as decifrei exausto. Eu as decifrei com medo. Eu as decifrei de qualquer maneira.
Essa é a parte que eu sempre esqueço.
Estou sempre à espera que versões futuras de mim mesmo me salvem, como se fossem estranhos que ainda não conheci. Mas todas as versões futuras de mim sempre foram eu.
A pessoa que lidou com as coisas que eu achava que não conseguiria lidar. A pessoa que sobreviveu aos dias que eu tinha certeza que iriam me destruir. A pessoa que encontrou uma saída quando parecia não haver nenhuma.
Inúmeras vezes, me tornei a prova da minha própria coragem, mas, de alguma forma, continuo me tratando como uma evidência não confiável.
Acho que é isso que a ansiedade faz conosco? Ela deposita toda a sua fé nas possibilidades e nenhuma na história. Ela pergunta: “Mas e se tudo der errado?”, enquanto ignora completamente as inúmeras vezes em que as coisas deram errado e eu ainda consegui superar.
As provas estão aí.
Vi dias impossíveis se transformarem em capítulos concluídos. Vi feridas cicatrizarem. Vi a confusão dar lugar à clareza. Estive à beira de situações que me aterrorizaram e que, eventualmente, acabei chamando de “aquela coisa que aconteceu anos atrás”.
Talvez eu precise parar de tratar a incerteza como uma profecia.
Talvez eu precise me lembrar de que já estive aqui antes, carregando medos diferentes com nomes diferentes.
E todas as vezes, eu aprendia a mesma coisa.
Não que tudo fosse ficar bem.
Mas mesmo que não fosse assim, eu daria um jeito.
Afinal, sempre foi assim.