Desde o momento em que nos damos conta da vida, começamos a perseguir a felicidade. Não a sobrevivência, mas a felicidade. Construímos nossos objetivos em torno dela, medimos nossas vidas por ela e imaginamos um futuro onde finalmente a alcançamos. E, no entanto, quando ela chega, nunca permanece. Aparece silenciosamente em uma conversa, em uma pequena vitória, em um momento que nem parece importante a princípio. E então desaparece tão rápido quanto surgiu.
Pisque uma vez.
Pisque duas vezes.
Perdido.
E o que resta é uma sensação estranha — não exatamente tristeza, não exatamente satisfação. Apenas a pergunta: O que foi isso? Eu estava realmente feliz… ou apenas perto disso?
Continuamos esperando que a felicidade pareça permanente, algo a que possamos nos agarrar. Mas talvez seja aí que nos enganamos, porque quando a felicidade dura muito tempo, começa a parecer irreal, forçada, como algo em que fingimos acreditar. E quando ela se vai rápido demais, começamos a entrar em pânico, nos perguntando se ela algum dia voltará. Esse medo — de que ela não retorne — às vezes é mais pesado do que a própria ausência.
Então, perseguimos essa esperança com mais afinco, buscamos em todos os lugares: nas pessoas, nas conquistas, nas distrações. Tentamos forçá-la com drogas, ou, quando o silêncio se torna ensurdecedor demais e a escuridão pesada demais, encaramos a assustadora realidade do suicídio e da perda total da esperança. Fazemos isso porque a ideia de nunca mais sentir aquela faísca é insuportável.
Talvez a felicidade nunca tenha sido destinada a durar, talvez nunca tenha sido destinada a definir nossas vidas por completo.
Talvez a intenção fosse apenas visitá-la. Brevemente. Sem aviso prévio. Apenas o suficiente para nos lembrar da sensação. E então partir. Não para nos punir, mas para nos manter em movimento. Para nos manter atentos, para nos manter vivos à possibilidade de que possa acontecer novamente.