A Dose Perfeita de Coisas Boas

O excesso pode ser uma armadilha.

Uma lei econômica explica isso friamente. De acordo com a lei dos rendimentos decrescentes, adicionar mais de algo positivo gera benefícios — mas apenas até certo ponto.

Por exemplo: Se eu continuar adicionando trabalhadores a um campo, a produção aumenta, mas chega um momento em que eles começam a atrapalhar uns aos outros, há tempo ocioso e não há tarefas suficientes para todos.

A lei dos rendimentos decrescentes também se relaciona com a forma como vivemos — com a fome insaciável de sempre querer mais. Mais dinheiro. Mais beleza. Mais planos. Mais viagens. Mais felicidade. Mais amor. Mais produtividade. Mais amigos.

Mais, mais, mais.

Até que ponto? Nunca é suficiente?

Há excesso de quase tudo.

A ambição em excesso gera ansiedade.
Escolhas em excesso leva à paralisia — você não consegue se decidir .
Muitas amizades se tornam apenas companhia, sem profundidade .

Aristóteles já dizia isso há séculos, mas não demos muita atenção. Ele falava da medida áurea , de não ter nem falta nem excesso.

Se você for bondoso demais, as pessoas vão te pisotear. Se você não for bondoso, elas vão te odiar.
Se você tem pouca coragem, é um covarde. Se você tem coragem demais, é imprudente.
A virtude reside no meio.

É lindo de dizer, mas difícil de viver, porque ninguém nunca nos diz onde fica o ponto de equilíbrio. Você nunca saberá a quantidade exata de amor, dinheiro, disciplina, desejo e ambição que não o destruirá.

Quem dera soubéssemos.

Mas a vida não funciona assim, e o equilíbrio se aprende quando o perdemos. Quando você percebe que está trabalhando demais e sacrificando sua saúde e amizades no processo. Quando você percebe que está dizendo sim a muitos planos e acaba estando com todo mundo e em todos os lugares, mas nunca passando tempo suficiente com ninguém para realmente aproveitar sem ficar olhando para o relógio.

Todos nós descobrimos o excesso quando sofremos com ele.

Nunca antes.

Você precisa aprender a dar um passo para trás, não apenas a avançar.

A dose perfeita não é uma vida repleta de prazeres. É uma vida com dinheiro suficiente para não viver com medo, amor suficiente para não precisar implorar por ele, ambição suficiente para continuar em frente e solidão suficiente para ouvir a si mesmo.

Experimente refazer seus passos em vez de correr desesperadamente para frente. Menos conexões, porém mais profundas. Menos planos, porém mais presença. Menos objetivos, porém mais clareza.

Sempre nos punimos com a pergunta: “O que me falta?”. Mas e quanto a: “Do que tenho em excesso?”.